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Mas e quem sou eu?

Já contei que eu acredito que o primeiro passo para ficarmos mais felizes com o guarda-roupa que temos (ou construir o que queremos) é entender quem a gente é. E isso não é lá tão fácil, né? No entanto, para o finalidade que temos aqui, podemos deixar "de lado" questionamentos mais profundos e filosóficos e focar em questões mais práticas. Coloquei entre as aspas porque acho que profundidade é importante e, por isso, sempre vale dar atenção para esses questionamentos profundos, mas sem pirar, sem deixar que te atrapalhe ou até mesmo paralise.

No processo de consultoria, um dos primeiros passos é a aplicação de um questionário e de atividades com imagens. Essas ferramentas são MUITO importantes para que a consultora consiga entender quem a cliente é, quais são as insatisfações e os desejos dela, por exemplo, para que assim ela monte um plano de ação, que será uma espécie de ~guia de estilo~ da cliente.

O mais legal? Você não precisa passar (e pagar $$$) por uma consultoria para ter acesso a um questionário desses. As meninas do Oficina de Estilo, por exemplo, propõem questionamentos interessantes (que geralmente aparecem nos questionários das consultoras) no livro Vista Quem Você É, já recomendado aqui várias vezes. Outra opção é seguir as dicas que vou dar aqui nesse post, feito especialmente para que você comece essa jornada (life-changing) de otimização do guarda-roupa e estilo pessoal!

"Style dos not come to you until you pay attention to it"

"Finding my own style was about accepting and liking myself"

Um aspecto que temos que manjar pra lá de bem se quisermos lidar melhor com o nosso guarda-roupa é a nossa personalidade. Afinal, nossa personalidade é base do nosso estilo, se o entendermos, em parte, como as nossas escolhas, as nossas atrações: os filmes que queremos ver, as celebridades que babamos os estilos, as risadas que contagiam a gente. Por isso, questione-se: "O que me atraí?". Se parece difícil, comece pelo contrário: "O que me repele?". Mas estilo, como podemos imaginar, não é só isso. Estilo é a gente em forma de símbolos, que aparecem tanto no nosso visual/aparência quanto nas nossas atitudes. Para trazer isso ao mundo da moda, vale responder estas perguntas:

- O que eu já gosto em como me visto?
- O que gostaria de melhorar?
- O que procuro sentir ao me vestir?
- E o que sinto ao me vestir atualmente?
- Como gostaria que as pessoas me percebessem pelo meu visual?
- Quem são meus ícones de estilo? Por que? O que me atraí neles?
- Qual tipo de roupa jamais me imagino usando?
- Quais peças do meu guarda-roupa mais uso? Por que?
- Quais menos uso? Por que?

Outro aspecto é perceber como realmente é o nosso estilo de vida. Aqui nós precisamos observar detalhadamente nossa rotina, miga. Quantas horas por dia você passa trabalhando? Onde trabalha? Quantas horas de lazer? Para onde gosta de sair? Balada, barzinho ou parques? Quantas vezes por semana? Quanto tempo você passa em casa? Entender como você organiza a rotina é crucial para a organização do guarda-roupa. A idéia é que quanto mais tempo você gasta em uma atividade específica, mais valor ela terá no armário. Ou seja: se você passa mais tempo por semana no trabalho do que na balada, é mais FUNCIONAL ter mais roupas de trabalho do que roupa com brilho para curtir a night, sacou?

O maluco é que ao percebermos como nossa rotina está dividida podemos verificar se estamos investindo e gastando energia em atividades que são importantes para gente. E isso pode transformar bastante nossa vida, né? Trazer mais felicidade <3

"If you got personal style, you can change your look from day to day and always look like yourself"


Antes de responder essas perguntas, eu acho interessante seguir uma proposta do livro The Curated Closet: durante duas semanas, tire fotos das roupas que você usar (até mesmo das que você usar para ficar em casa!). Após esse período, faça uma análise das fotos e responda não só as questões que já coloquei aqui, como também estas abaixo:

- Qual look usado nessas duas semanas é o seu favorito? Como você se sentiu ao usá-lo? E qual o menos favorito? Por que?
- Em uma escala de um 1-10, o quão feliz você ficou com as roupas que vestiu?
- Que cores e silhuetas/caimentos você mais usou?
- Você percebeu alguma espécie de "fórmula" para montar as combinações de roupas?


Reconhecendo o nosso estilo, ficamos mais empoderadas. Reconhecemos quem somos, quais coisas são importantes para gente e começamos a fazer decisões mais inteligentes – não só em relação ao guarda-roupa, mas à vida em geral, ao trabalho, às relações. Em um mundo cheio de must-haves, isso é dar poder às nossas escolhas, sim. Afinal, recebemos muitos estímulos durante o dia e entender bem quem somos é o antídoto perfeito para não ir na maré de t-o-d-o-s esses estímulos, apenas aos que combinam com a gente. Dessa forma, o estilo é mais sobre se encontrar, do que ser ROTULADA. Você não precisa se encaixar no boho, no rocker, no blogueira, você "só" precisa ser você.

Para finalizar, trago um trecho incrível do Vista Quem Você É: "Individualizar o estilo visual é nadar contra a maré de que todo mundo precisa se vestir igual para se encaixar".

Se encontre e seja feliz, mana <3


o primeiro passo para termos o guarda-roupa que sonhamos

PRIMEIRAMENTE, PERDÃO PELO TÍTULO SENSACIONALISTA!

Pois bem, eu decidi que não sentiria vergonha de fazer pequenas mudanças na minha vida. Achei que era melhor do que simplesmente continuar vivendo na insatisfação. Melhor para o mundo? Não sei, mas acredito que ao menos vai ser melhor para mim. E isso já é alguma coisa, né?

Todo esse processo que falei nas últimas postagens começaram quando eu fiz o curso de consultoria de imagem e estilo, algo que eu queria estudar há tempos mas pela rotina louca de faculdade, estágio e ainda o TCC em 2016, sempre deixei para depois. Enfim, agora estou nessa famigerada fase do desemprego (alguém por aí também?) e resolvi investir não só nesse desejo como também em outro que era estudar a história da moda. 


E consultoria, quando bem executada, é exatamente sobre autoconhecimento, só que traduzido em visual. Ela não é sobre a imposição de regras, como podemos pensar que seja pelos clássicos programas de TV que trabalham o tema (sabe aqueles em que o apresentador detona a pessoa e joga tudo que ela ama fora? Péssimo). As meninas do Oficina de Estilo, por exemplo, seguem muito essa linha de descoberta pessoal, que busca muito além de uma simples "alteração de estilo", digamos. Não sou formada por elas, mas me identifico. 

Acima, coloquei alteração de estilo entre aspas porque nosso estilo é único. Ele pode vir de diferentes referências, evoluir ao longo do tempo (assim como nós evoluímos), mas ele sempre será baseado em uma coisa, que é difícil de ser transformada: nossa personalidade. 

Entender quem nós somos, quais são as nossas prioridades no momento e na nossa vida todinha, como nós queremos ser percebidas pelas pessoas, qual é a imagem que queremos passar para o mundo e quais aspectos chamam nossa atenção visualmente são indagações importantíssimas para ajudar a gente a entender como podemos fazer decisões mais sábias na hora de escolhermos quais peças do nosso guarda-roupa realmente combinam com a gente e também na hora comprarmos algum produto novo, por exemplo. 



Além disso, é crucial saber qual é a vida que a gente leva, sabe? A nossa vida acontece agora. A gente precisa se vestir para o hoje. Não para o que achamos que seremos no futuro. Nesse sentido: se a gente passa 5 dias da semana no trabalho, por exemplo, por que a gente enche o armário de roupas de festa que vamos, sei lá, 1 ou 2 vezes por semana? É algo que a Thaís Farage, consultora que acompanho nas redes, comenta no vídeo abaixo, que recomendo para quem quer saber como fazer compras mais inteligentes! Olha só: 



Acho legal, no entanto, a gente ter aspirações. Tipo, mirar alto. Querer o melhor para a gente – desde que isso realmente seja algo que faça sentido na nossa vida. Nisso, vale o pensamentos de usarmos uma roupa que achamos legal hoje em vez de esperar uma situação especial para usar. Afinal, não sabemos nada do que vai rolar amanhã, em um mês um ano... Não controlamos o tempo. (De novo, voltamos para a questão do agora). Só acho que fica perigoso quando o guarda-roupa inteiro exibe algo que não somos, sabe? Se roupas são para um corpo que não temos ou uma rotina que não temos... Por que ter um guarda-roupa para o dia em que você morar em Paris e só andar para cima e para baixo com um motorista, se hoje você mora no calorzão do Brasil e anda de transporte público, gata? Brincadeiras e exageros à parte, essa discordância só vai trazer frustração. Horas e horas na frente do espelho cheias de angústia.

Estou passando por esse processo. E também estou ajudando as pessoas que moram comigo nesses questionamentos, colocando em prática os aprendizados do curso. E agora convido vocês a entrarem  comigo nessa jornada louca, mas muito gostosa :p

Quem quiser saber mais, recomendo MUITO MUITO MUITO (vocês entenderam, né? é para ler!) o livro Vista Quem Você É, justamente das meninas do Oficina (elas em breve vão lançar um edição atualizada, fiquem de olho). Indico também o e-book produzido por elas sobre como ter um guarda-roupa que se encaixe com a sua vida e quem você é.  Existe também um livro gringo chamado The Curated Closet que fala desse tema, mas como ainda não terminei de ler, ainda não posso opinar. Mas quando acabar, quem sabe rola uma resenha?

Let's have fun, bitches! 

você é parte do sistema – aceite (e tome frente!)

Como contei aqui anteriormente, eu estou em uma jornada de autoconhecimento (essa é uma frase muito zen, mas a real é que sou uma sassy bitch, queridas!). Digo jornada porque assim como qualquer outro conhecimento, ele é gradual. Exige prática diária e outros ingredientes fundamentais como paciência, (muita!) compreensão e aceitação, por exemplo.

É, eu sei! Uma vez que nós achamos a chavinha para um mundo que até então estava trancado para a gente, nós ficamos com fome e queremos o explorar por inteiro. É como ir para um parque de diversão pela primeira vez, você fica maravilhada. Mas é preciso ter calma. Deixa o imediatismo para lá. Porque (aviso por experiência própria) querer dar conta de tudo, traz angústia e, ainda pior, paralisação.

E sobre esse momento de quase paralisação que quero contar aqui. Vou falar das brisas que tive quando comecei a entender melhor meu guarda-roupa, e assim, a me entender melhor.



A indústria têxtil e a de moda em geral está presente no nosso cotidiano e impacta na nossa vida de várias maneiras, muitas até imperceptíveis.

Vamos para para pensar: antes de sair de casa, quais rituais são considerados básicos? Higiene pessoal, alimentação e vestuário. A gente precisa se alimentar, a gente precisa se vestir (sair peladona nas ruas do Brasil dá b.o com os polícia, viu, mana?). De qualquer maneira, você se alimenta do que você quiser, você veste o que quiser. Você pode até não ser muito envolvido nesses paranauê de comida ou de moda, mas saiba: você faz parte dessa sistema. Você pode até dizer que acha moda e "essa coisa de tendências" fúteis, mas você as incorpora, de um jeito ou de outro. Você as consome. E consumo, em um mundo capitalista, é tão importante quanto o voto, eu ouso dizer. Ao consumir um produto de alguma marca, você dá apoio para ela. E empresas, você sabe, têm grande impacto nas relações globais. 

http://goodtimesfor.tumblr.com/post/87523487789/sad-but-true


Sabe em O Diabo Veste Prada quando a Miranda joga na cara da Andy que o azul do suéter dela é um exemplo de que, sim, ela não está alheia à moda? É isso. Não é ficção. Acontece aqui debaixo dos nossos narizinhos. Não apenas nesse sentido de que incorporarmos uma tendência de um jeito ou de outro (fast fashion reproduz criações das grifes, por exemplo. Mesmo que você não saiba que tal elemento apareceu no desfile de tal marca, você está consumindo essa tendência), mas também em outros sentidos, até mais impactantes, como a maneira como consumimos. 

Breve retomada da história: século XVIII, revolução industrial. Desde então a produção ficou mais veloz. Impacto: os produtos chegam mais rápido ao consumidor, que almeja por novidades em um menor espaço de tempo; outro impacto: com as máquinas e os inúmeros estágios de produção necessários até que os produtos fiquem prontos, nós, consumidores, fomos afastados do processo de produção. Ou seja, citando um exemplo do tema que tratamos aqui, nós não sabemos como, quando, onde e por quem nossas roupas são feitas. O mesmo serve para nossa comida ou para qualquer outro produto industrializado. Ok, você acha na etiqueta que a blusinha é made in China, mas você não sabe exatamente onde na China (e nem em que condições, mas esse é um tema que rende um outro debate imenso e não é o foco desse texto).

Como a indústria fashion impacta o meio ambiente e os trabalhadores nela inserida é um assunto abrangente e que gera muitos debates. O mode.fica é um ótimo site para ficar de olho se você quer saber mais sobre isso. Mas aqui, nesse texto, quero que você foque em outro aspecto: nós estamos alheios ao funcionamento dessa indústria (que busca cada vez mais o barateamento de custos na produção de roupas quase descartáveis, com prazo de validade. Você já comprou alguma blusa que disse adeus na terceira vez de uso, por exemplo? É, acontece nas melhores famílias – de novo, assunto para outro post). Ou seja, nós não conhecemos como funciona algo que está inserido no nosso dia a dia, por bem ou ou por mal. Afinal, como disse, todos os dias colocamos um roupa, passamos por vitrines e por aí vai... 

"Beleza, Chames, mas como isso se relaciona com autoconhecimento?" Na medida em que prestei atenção em mim,  no guarda-roupa que tenho hoje , percebi que me guiei mais pelo externo que pelos meus verdadeiros desejos e prioridades, como comentei no post passado. Além de tentar entrar em conexão com esses aspectos (me perguntando como eu gosto de me sentir e como eu quero ser percebida pelos outros, por exemplo), eu também tentei buscar mais informações e me apropriar desse universo que eu consumo, logo, que eu faço parte. Porque acho isso poderoso. Acho importante entender como o básico de como o sistema funciona para poder entender como isso me afeta (e como minhas escolhas podem afetar o outro – assunto para outro post, Chames. Aceita.)

Por exemplo, minha avó Tiêta (<3) sabia fazer roupas, ela adorava costurar. Na época dela, era muito comum escolher o tecido e pensar na roupa que você queria fazer com ele. Isso ainda existe hoje dia, é verdade, mas poucas pessoas optam por esse método – e se optam geralmente é para uma ocasião especial, como casamentos e formaturas. Nós buscamos o fácil. E eu queria entender o porquê disso e estudar um pouco de história da moda me proporcionou esse entendimento.

Ao mesmo tempo, quanto mais sabemos das coisas, mais desafiadora a situação pode ficar porque te tira da zona do conforto. E dependendo do nível do mal estar que te traz, isso pode te paralisar – como eu QUASE deixei acontecer comigo. Ou porque você descobre que o mundo é uma merda e que muita coisa está errada e que você pouco pode fazer para mudar isso (e, às vezes, a alternativa que você quer seguir para ajudar o mundo, na verdade, não ajuda) e/ou porque você não quer mudar tão bruscamente a maneira como vive e/ou consome (ou não quer se sentir culpa por não mudar tão bruscamente). Been there, done that.

E como lidar com isso? Ainda tento descobrir; ainda quero carregar o mundo. E é por isso que resolvi fazer esse post, na verdade. Para não ficar doida com esses pensamentos na cabeça e colocá-los para fora.

Mas acho que o caminho mais seguro para não desistirmos no meio do caminho é olharmos para nós com carinho, descobrir como podemos mudar primeiro o nosso mundo (e aproveito para recomendar de novo a leitura desse post do Larusso. Leiam, filhas!). Como podemos fazer para a gente se sentir mais satisfeita com quem somos? Com a nossa imagem? Com as ações que tomamos? São algumas questões que lancei para mim e que agora lanço para vocês. 

Acho, de coração, que o importante é o próprio entendimento da insatisfação: saber que ela existe e porquê ela acontece. Tomar conta, ter a lucidez da situação, sabe? Eu, por exemplo, percebi que não era saudável sair comprando pelo sensação imediata de prazer, que depois se transformava em confusão. Agora, procuro fazer um melhor uso do que tenho. Comprar sabendo que não vou usar a blusinha uma única vez na vida. Pode parecer mínimo, mas é transformador para o meu mundo. É aquilo que falei no post passado.

Gente, nós não damos conta de tudo! Nós não sabemos tudo que rola no mundo! Eu escolhi me tornar mais consciente sobre o meu estilo e meu guarda-roupa, porque é algo que me toca. Ainda existem tantas coisas que eu não faço noção de como rolam. E que, claro, um dia quero saber, mas se eu tentar dar conta de tudo, eu posso acabar não fazendo na-da.

Eu vou continuar compartilhando minha jornada com vocês e, assim, algumas dessas respostas por aqui. E os desdobramentos e evoluções dessas respostas também. E as evoluções das minhas opiniões, porque mudanças acontecem. E aos poucos vou perdendo o medo de mudar de opinião (por isso, não apagarei nenhum post já publicado nesse meu espaço virtual).

Às vezes, temos medo de compartilhar nossas pequenas mudanças de atitudes porque parece que as pessoas vão querer usar isso contra você o tempo todo. Tipo, "mas você fala de mudança na maneira que consome e vai comprar em fast fashion?", "mas você é feminista e ama a Kim Kardashian?". É desestimulante. Eu não quis compartilhar esse meu processo por muito tempo, mas não posso deixar o externo, os outros me ~controlarem~ de novo. A Nuta do GWS fez uma matéria interessante sobre como as palavras dos outros impactam no nosso desenvolvimento pessoal.

Os aprendizados acontecem ao longo da vida, ninguém nasce sabendo de tudo e com opinião formada.

Resumo: se você está insatisfeita tente entender de onde vem essa insatisfação. Olhe para você e, depois, em como o mundo contribui para que você se sinta assim. Mas não pire! Tenha sempre carinho e aceitação consigo mesma (falo isso para você e para mim haha). A gente não muda do dia para a noite <3 

uma vida de expectativas não correspondidas

Eu me encantei pela moda desde muito jovem. (Ainda) Não sei porquê, mas sempre me senti atraída às roupas. Não pelas peças separadas, mas pelo conjunto que elas podiam formar e como a produção afetava a imagem da pessoa que a vestia. Na verdade, muito além disso: como a produção afetava muitos aspectos da pessoa que a vestia: o comportamento, a atitude e até as relações sociais. Vai dizer que você nunca quis ser amiga de uma garota com um look de babar? We all have been there. 

Por esse e muitos outros motivos que ainda preciso explorar, eu acredito que me sentia quase que abduzida por esse universo "mágico" (pelo menos nos meus pensamentos de pré-adolescente) da moda. Refletindo agora, enquanto escrevo, acho que sempre gostei muito mais de pessoas e produções estilosas que da indústria em si. Eu nunca entendi muito bem como as roupas são feitas (esse ano que procurei entender melhor sobre tecidos, modelagem e costura) ou quais estilistas tinham criado o quê e porquê ficaram com os nomes marcados na história, por exemplo (algo que também estou estudando atualmente). Muito embora eu sempre estivesse atualizada nas comunidades de moda no Orkut (alô, GWS!), fóruns (Fashion Spot, você ainda vive?) e nos blogs sobre o assunto. Os últimos, até então, ainda eram entendidos como diários abertos (mesmo que você não falasse da sua vida pessoal. Pois é!) do que como uma mídia com características próprias tal como conhecemos atualmente.

Enfim, com 12 anos, enquanto meus amigos passavam a tarde jogando The Sims, eu passava horas e horas do dia procurando fotos de celebridades como as gêmeas Olsen e Nicole Richie e de estrelas da web da época como Cory Kennedy e entrando sites cool como o Cobra Snake e o da revista Nylon buscando inspiração. Inspiração para a Chames que eu seria um dia: estilosa e com um visual impecável. A Chames que estou me preparando há anos para ser. Você sabe, "a melhor versão de mim".

A "melhor versão" que marcas, revistas e youtubers, por exemplo, sempre querem me ajudar a encontrar. Mas nem eu nem você vamos encontrar – pelo menos, não através do que eles prometem por aí. Porque ao contrário do que fazem a gente acreditar, a indústria LUCRA com a nossa insatisfação. A nossa insatisfação faz a gente comprar a nova blusinha que chegou nas araras para criar um visual legal e, assim, tentar encontrar nossa melhor versão. Ainda que gente tenha comprado uma bota over the knee na estação passada e mesmo assim não tenhamos conseguido chegar lá e ser o que estamos desejando ser a vida todinha, não é? Qual é, a indústria não quer que você tenha ~estilo próprio~, ela quer que você pense que tem um. 

Quantas compras não fiz pensando nos outros? Não no sentido de "ah, as pessoas vão me achar linda assim", nada disso. Mas no sentindo de "caralho, fulana usou isso assim, pode funcionar para mim". E nem venha me dizer que isso é coisa de fashion victim, viu? Com o Instagram no auge, isso acontece quase que naturalmente com a gente quando vemos um clique estiloso da fulaninha que seguimos. É só a Kim Kardashian sair com piercing na boca que eu já quero colocar um. E nem se resume em ser maria vai com as outras (no meu caso, maria vai com Kim rs), o ~buraco é mais embaixo~: tem a ver com poder, influência, marketing e, sim, minhas caras, com a gente também. Afinal, tudo que brilha nos nossos olhos (de coração) é um reflexo da nossa personalidade. 

Depois de anos e muito dinheiro gasto (que é bem diferente de investido), eu posso dizer que estou mentalmente cansada de buscar minha melhor versão – ainda que eu continue buscando. O cansaço, como faz na maioria das situações, me fez parar. E parar me fez refletir. E refletir, em um mundo que só quer que você siga o fluxo, é quase revolucionário. E aí eu pensei: "porra, por que diabos eu estou tentando ser a Chames que eu sempre quis ser olhando o feed da Bella fucking Hadid todos os dias?". Eu não tenho o mesmo corpo da Bella, eu não saio para os mesmo lugares que a Bella, eu não tenho a mesma vida que ela.  Eu pego busão, @deus. Por que diabos eu tento então reproduzir visualmente essas celebridades, blogueiras, sei lá mais os nomes que damos para essas famosas hoje em dia? Verdade seja dita: a gente tenta ser "a gente" olhando e buscando apenas no exterior.

Falta olhar para si. Falta, em tantos aspectos da vida ~moderna~, o autoconhecimento. Buscar compreender porque tomamos as decisões que tomamos, quais são nossas verdadeiras prioridades na vida, qual é o NOSSO estilo de vida. Se a gente fizer os cálculos, vamos perceber que gente vive uma vida que não podemos, de fato, sustentar. Aos 22 anos finalmente resolvi entender um pouquinho de finanças (a vida adulta chega aos poucos por aqui, e por aí?) e não demorou muito para eu perceber que eu, como muitas pessoas, finjo ter um padrão de vida que não me pertence. Quem nunca começou um mês cheio de dívidas? A gente tenta sustentar um padrão que não é a nossa realidade. Porque é MUITO é fácil de sermos convencidos que essa vida é nossa mesmo (é só investir no cartão de crédito, não é meixmo?). E, bem, é a vida que a gente quer, então esse convencimento é bem-vindo.

Então, percebendo um pouquinho essa situação, eu tentei me entender melhor. Ainda estou tentando, na verdade. E vou dizer que esse processo é doloroso. Tanta energia investida para percorrer um caminho que não chegaria em lugar nenhum. Mas ainda bem que existe outro caminho: o conhecimento. E esse, manas, é transformador.

E eu sei que esse textinho pode parecer fútil e que "ui! que dó dessa geração!", mas para mim ele não é. Um dias desses li um texto do Larusso em que ele dizia "eu não posso mudar o mundo, eu posso apenas mudar o meu mundo". Há tempos eu não me sentia tão conectada com uma frase quanto essa. Eu sei que ela parece perigosa em um mundo que aos poucos tenta trabalhar o coletivo. Mas, ao contrário, ela é poderosa: se eu não posso transformar meu universo particular e minhas insatisfações, como que eu vou tentar salvar o fucking mundo? Clichê? Talvez, mas um clichê que não é nem um pouco colocado em prática. Vários profissionais querem salvar um problema da empresa quando a vida profissional está uma merda; várias pessoas de diferentes militâncias tentam resolver problemas maiores quando a vida pessoal está uma merda – resolver dilemas da própria militância que não foram resolvidos internamente. 

Entender que eu comprei por impulso ou, em análise ~mais profunda~, por tentar alcançar uma maior autoestima, quatro calças jeans iguais e com a mesma proposta realmente não vai salvar trabalhadores em condições análogas à escravidão. Mas vai me ajudar a fazer compras  mais inteligentes e conscientes (no sentido mais puro que a palavra pode ter) no futuro. Compras mais conscientes e bem feitas podem me ajudar a ter um guarda-roupa que mais me ajude que me atrapalhe. Isso vai mudar meu mundo. Vai me deixar mais feliz. E felicidade gera felicidade, gente. O mundo pulsa energia. E se a gente está feliz, a gente tem mais felicidade para distribuir para aí. 

Para se inspirar: Frida Kahlo

Voltei de viagem e vou começar a movimentar o blog aos poucos. Tô com muita coisa para falar, cheia de ideias e planos, mas tenho que organizar tudinho antes de colocar em prática. Hoje vim fazer algo que eu já deveria ter feito há mais de dez dias: homenagear a pintora musa Frida Kahlo. Acontece que o mês de julho é uma data duplamente importante para os admiradores da Frida, pois é o mês de seu aniversário (dia 06) e morte (13). Como nessa época eu estava viajando, chamei minha amiga Júlia Braun para apresentar a história dessa mulher inspiradora para vocês. Confiram aí embaixo!

Por Júlia Braun


Olá, galera! A Chames me convidou para participar desse blog super incrível dela, e sugeriu que eu falasse um pouco mais sobre a Frida Kahlo, em homenagem aos 60 anos de sua morte. Aceitei a proposta, é claro, e vou tentar trazer para vocês um pouco mais sobre essa mulher maravilhosa! 

Para falar bem a verdade, não conhecia muito sobre ela. Só sabia que era aquela pintora de monocelha e bigodinho, esposa de artista famoso, que via em vários quadros por aí. Resolvi começar minha pesquisa, e assim que dei o primeiro Google, descobri que ela era muito talentosa!

A Coluna Partida, 1944

Suas obras contam um pouco de sua história, de uma forma muito íntima e às vezes bastante forte.  São extremamente coloridas e trazem muita influência da cultura popular mexicana. Na verdade, não são só as pinturas que demonstram esse amor de Frida pelas tradições de seu país, mas também sua forma de se vestir e de arrumar o cabelo.

Sua vida não foi lá muito fácil. Logo cedo, aos 18 anos, sofreu um acidente de ônibus que a deixou presa em uma cama por muito tempo. Mas foi durante esse período que Frida começou a pintar. Aos 21 anos tomou coragem e resolveu mostrar ao mundo seu trabalho. Apresentou-o primeiro a Diogo Rivera, famoso pintor mexicano, com quem se casou dois anos depois. 

Hospital Henry Ford, obra pintada após sofrer um aborto

Durante muitos anos Diogo foi o grande incentivador de sua arte, porém logo ela começou a ser reconhecida pelo mundo. Foi a primeira pintora mexicana a ter um quadro exposto no Museu do Louvre. Porém, seu grande sonho era fazer uma exposição em seu país, de que tanto tinha orgulho. Só conseguiu realizar seu desejo em 1953, um ano antes de sua morte.

As duas Fridas, 1939

Ao conhecer mais sobre Frida fiquei muito encantada com o talento e com a intensidade de suas pinturas, mas uma coisa que realmente me cativou e me fez vê-la como uma inspiração foi sua atitude como mulher. Defendia seus direitos de igualdade e militava no partido comunista mexicano como qualquer outro homem da época. Ela era forte, decidida e muito confiante.

Sustentou um relacionamento de 25 anos com Diogo Rivera, aguentando sua infidelidade por puro amor e companheirismo. Também tinha suas relações fora do casamento, pelo que se sabe todas com mulheres. Quer dizer, todas não: teve um caso de amor com Trotsky quando ela e Diogo o receberam no México.

Esse desenho fofo quem fez foi a Mona Sung, uma amiga minha também muito fofa e super talentosa! 

Pois é, galera. Frida era feminista, militante comunista, bissexual e defensora da cultura popular de seu país. Ah, e claro, uma pintora fenomenal! Isso sim que é mulher pra se inspirar!


Para quem, assim como eu, não conhecia muito sobre ela e ficou curioso ou maravilhado pela sua vida, tenho umas diquinhas de livros e filmes!
  • O Diário de Frida Kahlo: um autorretrato íntimo
O diário que ela manteve em seus últimos anos de vida, traduzido por Mario Pontes. É inteiro ilustrado pela por Frida, com seus pensamentos e confissões mais íntimas. Da editora José Olympio.
  • Frida: suas fotos
Um livro que reúne mais de 400 fotos da pintora de diferentes momentos de sua vida. Um verdadeiro sonho de consumo, da Cosac Naify.
  • Frida
Dirigido por Julie Taymor e com Salma Hayek no papel da personagem principal, é um filme que segue bem a história real da pintora. Foca bastante na relação amorosa de Frida com Diogo Rivera, e deixa um pouco de lado sua militância política, mas é com certeza muito bom!

Sair de casa?

Sair da casa dos pais, mudar de cidade e ter que começar do zero não é fácil, porém são situações que milhares de jovens enfrentam quando arriscam ir embora para estudar fora. Está cada vez mais comum, principalmente após o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), cursar a faculdade em outro estado ou outra cidade.

O que pode ser a concretização de um sonho pra muita gente (sair de casa, ter seu próprio cantinho, ser independente), pode acabar sendo uma indecisão terrível para outras pessoas ("a faculdade é melhor, mas será que vale a pena ir pra tão longe?). Independente de qual seja a situação, todos os jovens deveriam saber de algumas coisinhas antes de tomar qualquer decisão (é claro que há exceções, mas estamos falando da regra geral aqui): 

1) É claro que vai ser díficil
Vamos ser sinceros: Por mais que você queira muito se mudar e esteja super ansioso(a) pra começar essa nova vida, saiba que você vai "quebrar a cara" de uma forma ou de outra. Começar do zero dá trabalho e você passa por situações que você nunca imaginaria passar. E não estamos falando só de saudades aqui. Fundadoras da Replove, apelido que deram pro ap que dividem, as estudantes de Rádio e TV da Cásper Líbero, Bertha Sales e Camila Blumer (beijo pras queridas), tiveram a luz cortada por três dias porque esqueceram de pagar a conta. Sabe o que são três dias sem luz? Três dias sem enxergar nada no escuro, três dias sem banho quente (imagina no inverno), sem fogão, sem computador pra fazer os trabalhos... três dias em que fica quase impossível fazer alguma coisa produtiva. E, claro, foram elas que tiveram que reverter essa situação: telefonema aqui, pagar conta alí. Nem preciso ir tão longe assim: supermercado pode tirar facilmente três horas do seu dia lotado de trabalho pra fazer.



2) Calma, você AINDA depende dos seus pais
Easy, boy. Você pode estar longe deles e, de fato, eles não precisam saber de tudo que você tá fazendo, mas os pais ainda terão um papel fundamental na sua vida. Aliás, quem que vai pagar o seu custo de vida? Estamos falando do aluguel, contas de luz/gás/água/etc, supermercado, transporte público, e se você estiver em uma instituição privada, a faculdade. Isso, em uma cidade grande, não dá menos que 3.000 reais. Então, por favor, não fique se achando o dono do mundo.

3) Saiba porquê você está fazendo isso
Você está se mudando pra estudar ou pra curtir a vidalok? Claro que todos nós queremos ser meio vidalokas na vida (ou não, sei lá), ir pro bar todo sexta depois da aula, curtir as festas da faculdade, mas isso não pode ser a razão da sua mudança. Se você quer sair da casa dos pais só pra não ter mais quem te encha o saco, acho que você tá no caminho errado. Pode até parecer bacana, mas lá na frente, você não conseguirá dar conta das suas responsabilidades. E eu não tô querendo fazer o discurso "vamos todos estudar pra caralho, pra ter um emprego bom, pra pagar as contas e ter uma vida ok", eu tô falando de que a gente deve ter objetivos nessa vida.

Ainda assim, vamos agradecer pelas sextas tão esperadas.


4) Viva o momento
Saiba aproveitar essa oportunidade. Você pode estar morando em um lugar que talvez nunca volte a morar, então tente conhecer cada pedacinho dele. Logo no ínicio, tente entender como funciona o transporte público do lugar, se intere das pricipais atrações (museus, cinemas, galerias, restaurantes, baladas) e procure ao máximo captar a vibe do lugar. Não vá para SP, por exemplo, esperando uma vibe natureza e nem vá para o Rio esperando a mesma diversidade de coisas para fazer que em São Paulo (embora o Rio também ofereça muitas atividades culturais, passeios, baladas etc).

6) Vale a pena pra caralho
Por mais que seja chato e que a saudade bata forte algumas vezes, que você queira buscar a sua mãe ou o seu pai aonde quer que eles estejam para resolver um problema cabeludo pra vocês, morar sozinho (ou com amigos da mesma idade) vale muito a pena. Vale a pena justamente por isso: te tira da zona de conforto. Você tem que aprender a se virar, afinal, você logo mais vai estar entrando na vida adulta. Eu sei que a gente não quer admitir isso e que a gente tenta adiar esse pensamento, mas um dia nós vamos ter pagar nossas contas e vamos ser os únicos responsáveis por tudo que temos e fazemos :(: 


E aí, o que vocês acham? Amigos(as) que moram fora, vocês concordam com isso? Alguma outra dica pra galera que tá passando por essa situação?





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