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COMEÇAR DO VAZIO

Umas das minhas maiores dificuldades, se não a maior, no quesito organização é saber como começar do zero. Na minha vida, de certa forma, eu sempre estive atarefada: ensino médio, vestibular, curso de inglês, faculdade, estágio, TCC. Sempre havia alguma coisa para ocupar meu temo. Claro que havia um tempo livre para o lazer entre as tarefas, só que desde de menina eu sempre gastei esse tempo da mesma maneira: no computador, vendo fotos das roupas de celebridades, rindo de memes e lendo blogs – e, atualmente, faço isso tudo em única rede social: Instagram.

Não me entenda mal, eu adoraria fazer outras coisas, tais quais manter um blog (oi!), ler um livro... Mas, ah! as vontades... "Um dia eu coloco em prática". Já falou algo assim? Pois é. É que ter inspiração para o blog parecia tão difícil quanto me concentrar em uma leitura. Ficar na internet, como eu sempre fiz, era mais fácil. 

A verdade é que eu sempre quis ser diferente do que sou. Eu nunca estive muito satisfeita comigo mesma. Eu sempre quis ser melhor, mais evoluída, mais compromissada. Seja com meu visual, com meus hábitos ou com meu próprio temperamento e comportamento. E isso é chato.

Se você quer ser "melhor", parece que você está ruim agora. Parece que você está errada. E, às vezes, essa é a nossa sensação mesmo. Mas como você pode melhorar, se você não gosta de quem você é agora? É como lutar contra uma parede: aonde você pode chegar com isso?

Acho que a caminhada seria muito mais fácil para mim se eu fosse compreensiva, em vez de exigente, comigo mesma. Eu estou sempre exigindo algo de mim. E, veja bem, eu disse "exigindo" e não "querendo" ou "buscando". Eu exijo que eu seja de tal forma ou faça tal coisa (ter um blog, ler, estudar três horas por dia, etc.) e, por não sentir ânimo ou mesmo a confiança em mim para ir atrás (afinal, eu não acredito ou gosto de mim o suficiente), eu falho. E, assim, eu vivo falhando. 

Além disso, eu acho que tentar me organizar e ir atrás das minhas metas ficou muito mais complicado quando eu perdi todos meus compromissos e, com isso, ganhei a possibilidade de todos e qualquer compromisso

Eu não tenho uma faculdade para estudar ou um trabalho para ir... Eu nem preciso pagar as minhas contas. Sim, eu sei que isso é um grande privilégio. Sou grata pela minha condição de vida. Ao mesmo tempo, ter uma vida boa, faz com que eu me cobre ainda mais. "Como que eu fiz escola e faculdade particular, estudei no exterior e ainda não sou nada? Pior: nem sei qual é meu objetivo de vida?". Essa cobrança é complicada e dolorosa.

Para mim, esse cenário é literalmente como começar do vazio. E, de novo, atenção para o fato de que eu digo do vazio e não "do zero".  Começar do zero significa que você já está em algum nível da escala – ainda que seja no começo dela. Começar do vazio é não ter uma escala. Porque é assim que me sinto grande parte do tempo: eu não sei qual é minha ambição, meu propósito, meus desejos de vida, então eu realmente não sei como ocupar meu tempo agora, já que não sei o que busco em "longo prazo".



Desde que eu me formei, no final de 2016, acho que eu fiz "qualquer coisa" para saber se eu gostaria de ir atrás de alguma delas: fiz cursos de moda, de maquiagem, fiz intercâmbio, fiz vídeos de Youtube...  Mas ainda me sinto perdida. Às vezes, eu só queria que me dessem respostas – mas seguir as respostas dos outros seria apenas uma falsa sensação que eu estou fazendo algo da minha vida. Afinal, eu estaria fazendo algo da minha vida na perspectiva dos outros.


Então, como começar sem ambições?

Por isso, achei meio engraçado quando em um dos capítulos do livro Vida Organizada, a autora Thaís Godinho pede para que a gente imagine como seria a nossa vida (hoje, aqui, agora) se tivéssemos 100 milhões de reais no banco: o que estaríamos fazendo e como seria nossa rotina?

Veio de forma rápida na minha mente que eu adoraria o estilo de vida da Negin Mirsaheli, uma blogueira holandesa que veste roupas descoladas, é dona de uma empresa de cosméticos e viaja para diferentes cidades do mundo t-o-d-a-s as semanas ao lado do "namorido" para participar de algum evento. E o mais legal é que ela ainda compartilha as aventuras em vlogs divertidos no Youtube. Não parece mal, certo?

Então, é isso? Eu simplesmente quero ser rica e ter uma vida digna de blogueira ou uma Kardashian? Até aí, isso pode parecer o "sonho" de muita gente.  Eu sou taurina então riqueza e conforto, de fato, me atraem. "Shmoney!", como diria Cardi B, mas não sei...



Eu acho que o fato de a vida da Negin vir à minha mente não é só pela aparente vida perfeita. Se eu for mais minuciosa, posso achar desejos mais palpáveis à minha vida. Veja só:

Partes por partes 

"Uma blogueira holandesa, que veste roupas descoladas". Hm, eu sempre quis ter um blog consistente (este coitado aqui, o Processando, é a tentativa mais bem sucedida desde os meus 13 anos de idade) e eu sou muito afetada pelo meu visual. As matérias que escrevi sobre consultoria de estilo, no ano passado, provam isso

"Dona de uma empresa de cosméticos". No post passado, eu comentei que queria ter algo próprio. Um grande sonho seria ser ~dona e proprietária~ de algum canal de comunicação ou de produção de conteúdo. Eu sou apaixonada pelo Refinery29, plataforma americana completamente digital que arrasa no conteúdo feminino. 

"Viaja para diferentes cidades do mundo todas as semanas...". Até aí, nenhuma novidade para mim:  Eu amo viajar. Eu termino uma viagem já pensando em outra e sou muito ligada ao exterior; eu gosto de culturas diferentes.

Ao mesmo tempo em que eu gosto da sensação de ter uma rotina fixa, viagens são a possibilidade de eu me ~livrar~ um pouco dessa rigidez do dia a dia. E eu não questionaria uma "rotina de viagens". Na verdade, minhas viagens todas têm um quê de rotina com as programações que faço.

"... Ao lado do namorido". Ok, o único relacionamento que eu tenho em anos é com a minha cama (te amo, bebê), mas eu nunca negaria um James Rodríguez ao meu lado (E isso vai acontecer, tenho fé).

"E ainda compartilha as aventuras em vlogs divertidos". Tá-rãm! Eu amo Youtube e desde o ano passado tento investir no meu canal, embora eu morra de vergonha de divulgá-lo.

Achei minhas ambições?

Pensando bem, eu realmente me identifico e desejo muito as coisas descritas acima. Talvez eu não vire uma blogueira famosa, mas eu posso ir trabalhando em cada um desses tópicos. Por mim. Porque se esse foi o estilo de vida que eu imaginei para mim como uma milionária, no mínimo, deve ser uma vontade verdadeira, não algo movido apenas para ter o dinheiro que possibilita esse estilo de vida. Faz sentido?

É engraçado que a gente, no fundo, talvez saiba quais são os nossos desejos para a vida, mas a gente os nega por achá-los muito impossíveis ou "sonhadores demais" e fica  vagando pela vida, perdidos, tentando procurar outros "mais reais". Já imagino comentários como "ah, então vamos todos virar blogueiras e viver dessa maneira, se é tão fácil".

Primeiro, eu não acho que não seja fácil. Mesmo. Segundo, eu realmente não acho que todos querem ser blogueira – aliás, eu também não estou dizendo que eu quero ser uma, de maneira específica, só me "comparei" com alguém que é. Eu acho que as pessoas só querem a vida de blogueira, que parece fácil (mas não é). É muito fácil julgar sem saber como as pessoas chegaram e se mantêm ali.

Então, voltando ao que eu estava falando, talvez a gente saiba quais são os nossos sonhos, mas tenha medo de encará-los por achá-los impossíveis. Pensamos "ok, seria ótimo, mas agora voltando à vida real...".

Mas, peraí, calma! E se a gente parasse de achar nossos sonhos impossíveis e começássemos a trazê-los para a nossa realidade, nossas possibilidades?

E se eu começasse a investir no meu visual, no meu canal no Youtube, em um futuro negócio, enfim nos meus sonhos em vez de ficar tentando achar soluções para simplesmente sobreviver nessa vida de outra maneira?

Sei lá. E se eu fizesse um curso em algo que me ajude com esses meus desejos "impossíveis" em vez de investir em curso qualquer de marketing, algo que eu não quero seguir carreira (eu acho), só para ter um trabalho? Porque, atualmente, trabalho em marketing não falta. Porque atualmente tudo é marketing. Jornalista, dentista, médico, nutricionista, todos trabalham com marketing.

Ir atrás dos desejos não é fácil. Para ter um negócio próprio, eu vou ter que ralar muito (e entender marketing, risos); é muito provável que eu tenha que trabalhar em algo que não seja legal para ter o dinheiro para conseguir abrir algo próprio. E se eu conseguir chegar lá, não precisa ser a maior empresa do mundo, só algo legal e com seguidores fiéis.

Será que buscar nossas ambições dessa maneira, pensando alto, é uma forma legítima de ir atrás da vida que queremos?
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PART II

Eu estava muito pronta para 2018. 
Em janeiro, eu comprei um planner, lindo e do jeitinho que eu queria. Em 2017, eu passei um tempo à toa, sem compromissos especiais então eu estava animada para planejar o novo ano, as novas metas.

Preenchi algumas semanas de fevereiro, março... Em abril, ele ficou mais vazio e em maio e junho,  o coitado quase não viu uma caneta – nem mesmo para pintar os quadradinhos do meu rastreador de hábitos. Eu acordava, comia, passeava com a Sansa, me arrumava, saía de casa para o freela às 10h, voltava para casa às 20h, dormia. Nada além disso.

Na sexta (22), acabou.

Eu precisei sentar e planejar o futuro, como já fiz algumas vezes esse ano. Não me entenda mal: eu amo planejar, fazer listas, traçar metas. Mas também adoraria marcar um check nelas.

Dessa vez, por outro lado, me sinto menos perdida. Eu até que tô feliz porque acho que eu encontrei verdadeiras ambições. Ao menos, para os próximos anos. Eu quero morar sozinha e estar me sustentando quase que completamente em alguns anos. Talvez você ache isso bobo, já que eu tenho 23 anos e, óbvio, eu deveria querer isso. Mas a verdade é que eu passei muito tempo acomodada e ~de boas~ morando com a minha família. Por enquanto, ainda vejo os (muitos) benefícios disso, mas sei que, com o tempo, a vontade de ser independente ficará maior que eles.

Eu quero ter meu próprio negócio e eu estou pensando em voltar à faculdade para estudar. Também, já aceito melhor a idéia de me contentar com qualquer trabalho que não seja "meu-deus-o-melhor-emprego-da-vida" porque eu sei que ele me ajudará nesse processo de ~ser dona da minha parada~ ou, ao menos, independente.

E em algum lugar nesse rolê, eu quero morar um tempo em outro país. Não sei se parece contraditório e megalomaníaco, mas esses são meu desejos mais sinceros.

Um pouco de luz em meio de muito caos. Eu falo isso porque, pela primeira vez em muitos meses, eu sinto que não estou tão bagunçada.

No decorrer do ano, eu abria esse blog e quando eu lia as matérias que escrevi no ano passado (tipo a de organização e ansiedade), eu só ficava pensando: "mas que merda é essa? isso é tão distante de como estou agora que nem parece que fui eu que escrevi". Maluco.

Não que eu tenha virado uma bagunceira de carteirinha, mas, não sei... não sentia uma ligação sincera com esse papo de prioridades, não sabia dizer quais eram minhas. Agora, eu entendo quando dizem que organização é processo. Porque é descoberta, autoconhecimento.

Acho que tudo isso que vivi e escrevi em 2017, veio de forma efêmera. Isso não quer dizer que eu não tenha um espaço, mais maduro, na minha vida atual para essas ~correntes~ que eu me envolvi.
Ser organizada, optar por menos coisas... Isso faz parte de quem sou. Funciono melhor com elas. Só preciso me ouvir e me respeitar mais, ir me adaptando ao poucos.

Vou descobrir isso com vocês.

RECOMEÇAR

Oi, 2018.

Sei que você já chegou há um tempo. Na verdade, metade de você já foi embora. Eu estive consciente sobre isso, mas meu processo de readaptação não foi rápido mesmo. Aliás, ele ainda está acontecendo. Sou naturalmente um pouco lerda. Tudo que chega rápido demais parece ser temporário, uma fase. Sou "processual".


Oi, vocês.

Eu cheguei da Califórnia há sete meses, completados no dia 20 deste mês. É meio maluco porque eu sinto que nunca me despedi de lá. No dia que eu peguei o avião de volta, parecia que eu estava apenas fazendo uma breve viagem ao Brasil. Quando desembarquei, eu sabia que eu deveria estar aqui, mas minha cabeça ficava imaginando algumas maneiras de voltar (e eu vou voltar, mas, agora, eu preciso estar aqui).

Eu passei meses tentando voltar. Tanto para lá, quanto para São Paulo. Eu peguei um freela, voltei à dentista, mais tarde à psicóloga, visitei minha cidade natal, passei o carnaval no Rio de Janeiro. Eu assistia vídeos de pessoas em Los Angeles, entrava em sites de lojas americanas que não vendem no Brasil, compartilhava lembranças da minha cidade favorita no Instagram (para ser sincera, sete meses depois, ainda faço tudo isso).

Eu tracei metas, fiz ritual de lua nova, mapa dos sonhos, fiz um curso de maquiagem. Voltei à academia, fiz novas escolhas de alimentação, voltei aos velhos hábitos, recomecei. Uma crise de pânico apareceu no meio disso, voltei ao medicamentos. Fitoterápicos. No meu sexto mês, finalmente peguei mais um freela (o primeiro do ano!) e segui uma rotina mais regrada, algo que me estabilizou por um mês e, eu, como amo segurança, gostei da sensação.

Agora, no fim de junho, me vejo recomeçando mais um vez. Fico insegura porque recomeços me lembram fracassos. Mesmo que eles, às vezes, só signifiquem que algo chegou ao fim e que outra coisa deve começar no lugar.

Mas eu consigo entender minha frustração porque eu passei grande parte da minha vida tentando ir atrás de algo. Sempre senti dificuldade de perceber a concretização dos planos porque, na vida real, a concretização acontece de maneira diferente de como idealizamos. Mas preciso lembrar: eu não estou apenas correndo atrás, eu já cheguei na "linha final" algumas vezes. É que quando você chega, você já se prepara para outra maratona.

Pois bem, estou recomeçando.

Ano passado comecei um ciclo de autoconhecimento que parece, muitas vezes, ter sido interrompido: consultoria de estilo, organização, minimalismo... Tudo isso chegou de forma muito intensa e agora já não faz parte da minha vida, definitivamente não nessa intensidade. O autoconhecimento aparece em outros lugares.

Por outro lado, tenho vontade de reaprender. Reaprender sobre organização, produtividade, moda,  comunicação, empreendedorismo, autoconhecimento.

E eu vou – e vocês vão comigo.
Vamos lá?
Bom estar com vocês. De novo.

Momento Zen: Como organização me ajudou com a ansiedade

Vocês já notaram que passei por um processo de me entender melhor pelo meu guarda-roupa. Mas esse não foi a única maneira que descobri mais sobre mim, afinal, também me encontrei na organização. E resolvi que seria legal falar para você sobre isso já que me ajudou bastante e acho que pode ser útil para vocês.

IMPORTANTE: ESSE É O ROTEIRO QUE FIZ PARA UM VÍDEO PARA MEU CANAL DO YOUTUBE SOBRE O TEMA. Confira:



Geralmente, quando alguém procura entender um pouco mais sobre organização e como tornar-se uma pessoa organizada, o provável motivo para é isso é que a pessoa sente que não está sabendo lidar com o tempo da maneira mais inteligente possível. Seja porque ela está muito sobrecarregada, tentando realizar muitas tarefas e sentindo frustrada ao não conseguir dar conta delas, seja porque ela não faça muita coisa assim, mas sinta que não está aproveitando o tempo da maneira como gostaria, alguém que não sabe muito bem what the fuck está fazendo da vida, com desejos que nunca coloca em prática (olá, essa sou eu :p).

Dessa forma, um dos primeiros e grandes benefícios da organização é conseguir encontrar um equilíbrio entre as tarefas do a dia a dia e o relógio com apenas 24 horas. Afinal, ao estipular uma grade de horários para os compromissos e tarefas do dia (ou da semana), você consegue entender quais, de fato, são possíveis de serem colocados em prática durante o dia. 

Se ficarmos com todas as tarefas e compromissos que precisamos cumprir apenas na cabeça, é normal acabarmos achando que damos conta de MUITO mais coisas do que realmente conseguimos dar em um dia de 24 horas (além de ser mais fácil de esquecer desses afazeres, né?). Isso acontece, entre outros motivos, porque apenas consideramos as tarefas em si quando pensamos no dia realmente sem organizá-lo. Não consideremos hábitos diários como o tempo de deslocamento, o tempo para se arrumar e tomar café, entre outros, que podem levar de 3-4 horas do nosso dia. Diz que não?

Quando a gente prepara o nosso dia, tentando fazer uma distribuição das tarefas ao longo dele, demarcando horários para as tarefas ou elegendo as principais do dia, por exemplo, temos muito mais clareza do que é e do que não é possível realizar.  Compreendemos que algumas dessas tarefas terão que ser adiadas simplesmente porque elas não cabem nas horas do dia. E essa seleção do que deverá ser realizado no dia e o que deverá ser adiado (ou até mesmo cancelado) é um processo que parece banal, mas que é algo primordial que é definir PRIORIDADES. 

E a definição de prioridades é real função da organização. Ter uma rotina produtiva e uma casa arrumada, por exemplo, é apenas umas das consequências da organização, ao colocarmos as prioridades em prática, mas não o objetivo dela em si.

Para você ser uma pessoa organizada, você não precisa nascer com “um dom natural” ou gosto pela coisa. Você simplesmente precisa parar um pouquinho e pensar: O que é importante para mim? O que eu quero fazer e alcançar na minha vida? Essas são as suas prioridades. E é exatamente por isso que eu acredito que a organização serve como um antídoto para a ansiedade. A ansiedade é um sentimento que está quase sempre de mãos dadas com um medo: medo de não conseguir dar conta de tudo, medo errar, medo de não suprir as expectativas dos outros e/ou as nossas próprias expectativa.

Minha ansiedade, por exemplo, sempre namorou o medo da morte: eu tinha tanto medo da morte que era difícil eu passar uma semana sem pensar nela. Eu achava que ela sempre estava chegando. E meu medo não era de COMO eu morreria, mas quando. E eu demorei bastante tempo para entender que esse medo não era da morte em si, mas de não viver tudo aquilo que eu achava que eu deveria viver. Eu tinha sonhos, objetivos, desejos… Ah! Eu tinha muito para viver. Eu não poderia morrer aqui e agora, atravessado essa rua. E esse medo me deixava ansiosa porque já pensou se morresse amanhã? Ao mesmo tempo que quando eu sentia que eu não estava utilizando meu tempo de vida do jeito que eu queria, eu ficava com medo (porque a morte podia estar chegando, não é?). Era uma situação paralisadora.

Quando eu comecei a ler mais sobre organização, eu não estava tentado mudar esse ciclo, que eu até sabia que existia, mas não sabia como sair dele. Eu simplesmente estava buscando saber como poderia dar mais utilidade para o meu cotidiano: criar hábitos que eu sempre quis ter, mas sempre deixava para depois, como meditar, fazer atividade física, me dedicar aos estudos, ficar menos tempo no computador e por aí vai... Porque eu sentia que eu estava sendo levada pela vida e não levando  vida que eu queria levar.

Mas assim que eu comecei a ler o primeiro livro que li sobre o assunto, que no caso foi o Vida Organizada da Thais Godinho, um dos primeiros passos indicados para que eu (ou qualquer leitor) me tornasse organizada era saber quais eram minha prioridades. Que eu fizesse exatamente as reflexões que citei acima. E foi aí que eu me toquei que eu não sabia o que eu queria para minha vida. Eu não sabia quais eram meu sonhos ou os meus objetivos. Eu não sabia o que me deixava feliz. Ou eu até podia saber que, sei lá, eu tinha um objetivo de emagrecer. No entanto, um outro passo importante era questionar as suas prioridades: Por que isso é prioridade? E aí as coisas ficaram mais difíceis. Ou seja, eu tinha um medo enorme de ir embora antes de fazer tudo que eu queria fazer, só que ao mesmo tempo eu nem sabia, de verdade, quais eram esses grandes feitos que eu queria alcançar.

Mas para eu perceber isso, eu precisei de algumas poucas e boas leituras sobre o assunto. Porque essa situação que hoje parece óbvia para mim, na época, era invisível. Só quando eu percebi que essa fase primordial de definição de prioridades era mais importante do que a "criação–de–uma–rotina–com horários–definidos–para–os–hábitos–que–queria–incorporar" (a criação de rotina pela criação de rotina, sabe?) que eu realmente me tornei alguém mais organizada. Porque eu tinha prioridades. Pelo menos uma noção mínima, já que eu ainda acho que estou no processo de descobrir minhas verdadeiras ambições. 

Mas quando eu consegui definir esses “rascunhos”, digamos, de prioridades, minha vida realmente já passou a fazer mais sentido. Porque tudo que eu faço, agrega em algo para mim. E as chances de eu gastar tempo de vida e energia em algo ou alguém que não é importante para mim ficaram menores. Eu fazer algo porque é isso que a sociedade espera de mim é menor. E, assim, eu comecei a lidar melhor com a ansiedade. Por exemplo, eu não vou para um rolê com pessoas que não significam muito para mim por FOMO (Fear Of Missing Out). Mas eu vou passar um tempo com meus amigos que importam. Quando meus pais me ligarem para falar comigo ao telefone, eu não vou responder qualquer coisa porque estou ocupada com computador ou televisão porque eu sei que ter contato com meus pais que não moram mais comigo é mais importante. Isso, claro, é prática e um exercício diário. Afinal, é difícil sair do modus operandi.

Ter prioridades me ajudou me importar mais com o agora, afinal eu entendi NA PRÁTICA que é com o hoje e o agora que eu construo o meu futuro. Afinal, nós LITERALMENTE só temos o hoje. Ninguém sabe (mesmo!) o que vai acontecer amanhã. E, dessa forma, o meu futuro ficou menos idealizado. Porque do jeito que levava a vida (ou melhor dizendo, que a vida me levava) parecia que o futuro era a terra prometida da felicidade eterna. O futuro seria melhor que o presente. Mas ele não existe, né? O presente existe.

Então, além de me ajudar a levar a vida que eu quero viver e alcançar os objetivos que eu quero alcançar, a organização também me deixou menos ansiosa porque eu parei de esperar pelo "futuro maravilhoso" e viver o presente. E, por isso, eu posso garantir que você não precisa ter medo da morte como eu para curtir os benefícios da organização. Esperar pelo futuro e menosprezar o presente é uma máxima na nossa sociedade. Parece que está todo mundo esperando o fim de semana ou as férias para curtir a vida e ser feliz; parece que está todo mundo esperando o salário cair ou ganhar na loteria para realizar os sonhos. 

Por isso, quando você define suas prioridades, você percebe que não precisa mais viver assim. Primeiro, você vai perceber que certos hábitos não fazem mais sentido, então você vai os eliminar da vida – e isso pode ser uma coisa simples como, sei lá, parar de gastar dois reais todo dia com um cafézinho depois do do almoço ou algo mais impactante como mudar de profissão. Segundo, que tudo que permanecer serão coisas que importam para você. E você vai conseguir focar nelas e até mesmo sentir #gratidão por todas elas. Porque talvez você precise fazer um tarefa chata para o trabalho hoje, mas essa tarefa é apenas uma de tantas legais que te possibilita estar num emprego que você sempre quis ter. Mas, claro, sabemos que mudar hábitos não é algo fácil. Então seja paciente com você (e lembre por que é tão importante construir ou livrar-se desse hábito!).

Quando a gente percebe quais coisas realmente são importantes, fica mais fácil identificar quais não são e, assim, fica mais fácil transformarmos nossos sonhos em realidade. Afinal, cortar o café de “só” dois reais por dia, te ajudou a poupar um dinheirinho para fazer um passeio por uma praia perto da sua cidade no final do ano, né? <3 

Esse é meu relato. Se vocês já passaram por uma experiência parecida, me conta nos comentários. Beijos e até a próxima! 







Processando no Youtube!

Adivinha só, my people? Resolvi abraçar "de vez" o Youtube! Depois de algumas tentativas frustradas, decidi que voltaria a atualizar o meu canal e por um bom (eu acho?) motivo. É que no final de agosto viajarei para Los Angeles, onde passarei três meses. Então achei que seria uma boa idéia juntar dois desejos meus: continuar o canal e falar de uma maneira mais descontraída da minha viagem!



Enquanto não embarco, estou abordando nos vídeos as metas que quero alcançar até lá e também de outros assuntos que me tocaram bastante este ano como a descoberta do estilo pessoal, organização, finanças, minimalismo etc. Ah! Nem contei aqui, mas já fiquem sabendo: estou realizando um processo de consultoria de estilo com a Thais Farage (lembra que até indiquei um vídeo dela aqui? <3) e pretendo mostrar detalhes por lá.



Espero que vocês curtam. Se não curtirem, me falem (mesmo!) e me digam o por quê. Quero sempre ficar atenta no que posso melhorar.

Me segue lá! É só procurar o perfil Chames Oliveira :p 



Afinal, o que é estilo próprio? Isso existe?


Estilo próprio: taí uma expressão que não é estranha, né? Ao mesmo tempo, muitas pessoas podem dizer que “nunca viram, nem comeram, só ouviram falar”, como diria nosso amigo Zeca (péssima trocadilho, desculpa).

A gente costuma escutar vez ou outra que moda não deveria ser entendida como uma futilidade, afinal, ela é uma forma de expressão.  A gente se comunica através das roupas. Mas, calma. Vamos parar e refletir, você realmente consegue captar as pessoas pelo que elas vestem? Você olha para alguém que seja no cotidiano e entende um pouquinho mais dela pelo visual?

Eu acredito que, sim, a moda é um meio de comunicação – e um meio impactante e poderoso. Mas eu não acho que todo mundo fale por meio dela. Por alguns motivos que já discuti aqui no blog:  nós fazemos compras em busca de um prazer imediato; achamos que mais é mais (mais roupa, mais opção, mais chance de sermos bem sucedidas nessa busca eterna para sermos a “nossa melhor versão”); nós não relacionamos as roupas que compramos com quem somos e com nossas verdadeiras vontades e desejos. Às vezes compramos uma roupa porque “o preço tá valendo”. Só que no fim esse “achado” vai para o nosso guarda-roupa e fica parado, assim como tantas outras roupas.

O resultado? Nós ficamos com um guarda-roupa abarrotado de “possibilidades” que mais atrapalham que ajudam. De tanta coisa, a gente não consegue mais ver. E acabamos optando sempre pelas mesmas peças. Quem nunca passou por essa situação? Isso, no entanto, é ótimo para a indústria que alcançou o objetivo dela: vender, vender, vender. Afinal, esse é o objetivo de qualquer indústria, né? A indústria da moda é só mais uma de tantas, vale lembrar. 

fashion, i am not your bitch. sorry, not sorry.

Nesse cenário, a moda como expressão da nossa personalidade acaba não existindo. Essa frase e suas variantes (moda como identidade, por exemplo) ficam vazias, sem significando. E em alguns casos é até mesmo usada para atrair ainda mais o consumidor. O slogan "moda é expressão" pode até mesmo justificar os gastos que você faz com roupas, sapatos e acessórios: “Ora, qual é o problema de gastar com isso? Moda não é fútil, moda é expressão”. Ou em um exemplo mais simples e cotidiano: quem nunca comprou uma revista ou olhou um vídeo no Youtube buscando dicas para encontrar o próprio estilo? Ao fazer isso, esquecemos de algo importante: estilo é muito mais sobre o interno que o externo.

Quem não quer usar a moda para mostrar quem é, certo? É mais autêntico! Só que nesse cenário que vivemos, como podemos fazer isso? Isso sempre foi algo que me perguntei bastante e que sempre procurei entender e confesso que ainda estou no processo de compreensão. Muitas perguntas rodavam pela minha cabeça: “se moda é liberdade e expressão, por que a gente se esforça para se vestir de uma determina maneira?”; “existe mesmo uma mensagem no que vestimos?”.


Confesso que pensei que não acharia uma solução para esses enigmas. Moda era alienação e pronto. Eu teria que aceitar e viver com isso, já que eu continuava gostando tanto de moda mesmo assim.

imagem: google/keep it social

Mas então veio o curso de consultoria e o livro Vista Quem Você É, das meninas do Oficina de Estilo. Entendi que as roupas poderiam ser expressão se eu parasse de tentar entender como a moda poderia ser comunicação e focasse em outra questão/ponto de vista: como EU poderia me comunicar pela moda? E esse é o processo que vivo agora.

Enfatizo ontem, hoje e sempre: para a gente tentar entender melhor o mundo, vale olharmos para nós mesmas!

Então, sim, moda pode ser comunicação pessoal, mas para isso eu preciso me entender antes. Afinal,  para quê vou ficar obcecada no ato de vestir/utilizar as roupas, se eu não sei nem como eu quero as utilizar? Aqui, vale também fazer as perguntinhas que citei na publicação anterior.

E estilo próprio existe, sim! Porque estilo não é só roupa. É também a decoração da nossa casa, os filmes que assistimos, os quadros que amamos, as imagens que impactam a gente e tantas outras coisas. Em um sentindo mais profundo, estilo são as escolhas que fazemos, como falou a Cris Zanetti em entrevista à Marie Claire.

Então, você entende direito por que você faz as escolhas que faz? :p
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